domingo, 6 de maio de 2012

Atlético 1 América 1

6 de maio de 2012

Mesmo jogando sem o nosso melhor jogador, o Atlético fez uma boa partida. Talvez tenha gostado demais da tática de cozinhar os adversários (que aplicou contra o Tupi e contra outros adversários mineiros)(e que é uma tática de time campeão, que joga feio mas vence), mas como ela não combina com o Atlético, os deuses do futebol nos tiraram a vitória.

O sistema tático, para delírio de Bob Faria, envolveu Marcos Rocha como meiocampista pela direita, Bernard pela esquerda e Guilherme e Serginho pelo meio. Na defesa jogaram Rafael Marques, Lima, Réver e Richarlyson (sim, como zagueiro). Quando Marcos Rocha deixava de ser meia e cobria o lado direito, Réver assumia o seu lugar na armação de jogadas (mas isto pouco foi feito).

Guilherme, como armador pelo centro, jogou melhor do que como atacante. É mais uma mostra de como Cuca está alterando as posições dos nossos jogadores e fortalecendo nosso meio (trazendo gente de todas as posições para meio-campo e criando um time que sabe tocar a bola, quase como o Arsenal 2006-2010, quando Wenger dava treinos só de toque de primeira e recuava atacantes para o meio-de-campo -- e quase como o Barcelona, que é mais ou menos isso também). Espero que Cuca saiba o que está fazendo, e que consiga combinar esse esquema de time técnico e veloz com a presença de um centroavante (ou que algum árabe surja e nos compre o André, dando em troca o Tardelli).

Cuca, aliás, tradicionalmente monta times que trocam passes no meio-campo e com jogadores variando de posição. Acho que a tendência é esse sistema do carrossel cuquês melhore a cada jogo, tanto mais porque agora temos um campo grande para trocar passes, e esta habilidade já está se fazendo notar, com jogos cada vez mais bonitos da parte do Atlético (se não acredita, vá ver um do Cruzeiro logo depois do do Atlético e pensará que está assistindo à quarta divisão).

Outro problema nosso é a falta de confiança dos atacantes. Agora me refiro aos nossos meias ofensivos pontuais, Bernard, Danilinho e Escudero, que quase não chutam, e ficam entalados com marcadores na frente. Em parte, esse problema vem da Arena do Jacaré, que era um estádio pequeno demais, impróprio para os dribles e cortes, e que favorecia a sorte, o chutão-seja-o-que-Deus-quiser e jogadas feias. O time do Atlético continua agindo assim quando está no ataque, mas creio que o tempo (não muito tempo) liberará o poder driblador de nossos craques e passaremos a marcar gols nas inúmeras bolas mano-a-mano  que criamos e que hoje são desperdiçadas, passaremos a fazer jogadas cada vez mais envolventes  com passes pelo meio (essas são as em que estamos melhor hoje, graças à estratégia referida no parágrafo acima) e criaremos jogadas de verdade pela linha de fundo, como bem sabiam fazer Marques, Márcio Araújo, Carlos Alberto (o volante), Serginho (o volante que está aí ainda) e para as quais temos hoje um especialista: Danilinho.

Seremos campeões.