sábado, 21 de julho de 2012

Talvez o Atlético jamais perca de novo.

Pra falar a verdade, penso que o Atlético é invencível.
Não me lembro, aliás, de ter visto o Atlético perder jamais.


(Comentaristas que realmente entendem de futebol estão começando a falar sério sobre o Atlético. Desta vez Antero Greco falou que "o Atlético joga fácil" e confirmou a tese deste blogue de que Bernard é o verdadeiro astro do time.)

domingo, 15 de julho de 2012

Figueirense 3 Atlético 4

Agora virou festa. Todo mundo falando que o Atlético está rumando para o título. Nem preciso mais exprimir meu otimismo por meio de argumentos complexos e não-lineares nestas postagens. O time é bom demais. Por todos os lados só há craques.

A chegada de Ronaldinho liberou Bernard dos marcadores e transformou esse garoto num monstro do futebol. Jô é foi um achado, não dá nem pra comparar com André, e olha que este nem era ruim. Victor salvou a única parte do time que preocupava. Junior César é o melhor lateral-esquerdo em atividade no Brasil. Guilherme, por incrível que pareça, deve continuar jogando bem (quando o time está bem, fica bem mais fácil).

O time técnico, mas paradão, que ganhava de adversários fracos como o Uberaba mas passava aperto contra times marcadores como o Goiás ficou para trás, agora o Atlético é um time veloz, um time que corre e joga com lançamentos, de Ronaldinho ou Leandro Donizete. Um time ofensivo e bonito de ver. É diferente daquele time maravilhoso que jogava correndo de 2009, mas é bonito mesmo assim. Tardelli talvez esteja agora arrependido de não ter vindo para ser campeão conosco, mas tudo bem, ele virá em 2015.

Cuca fez um grande trabalho.

domingo, 10 de junho de 2012

Palmeiras 0 Atlético 1


O comentarista do PFC falou -- antes do jogo -- que o Atlético vai brigar pelo título. Agora, depois da nossa quase goleada, Paulo Vinícius Coelho também falou. O Brasil começa a acordar para a enorme qualidade do time do Atlético e para a verdade -- que já fora aqui divulgada, sem alarde -- de que o Galo será provavelmente campeão brasileiro (digo "quase goleada", porque roubaram três gols do Atlético, mas a Globo misteriosamente sumiu com os vídeos dos lances).

O time já tinha essa qualidade antes de Ronaldinho Gaúcho, e parece que ele não vai atrapalhar, então podemos por ora perdoar Alexandre Kalil por ter trazido um jogador que traiu o Grêmio. Mas como o Atlético é mais forte que o Ronaldinho, e já seria mesmo campeão mesmo sem ele, é bom que se destaque aqui que a jogada do gol foi um cruzamento de Bernard; a jogada em que Bernard perde um gol na cara veio de um lançamento de Danilinho; o segundo gol anulado do Galo também veio de um lançamento de Bernard; e, no início da partida, também aconteceu um lançamento quase perfeito dentro da pequena área, de Marcos Rocha, que Bernard não alcançou por muito pouco.

Isto dito, Ronaldinho também merece aplausos. Teve participações geniais.

Por fim, é importante notar, no já referido comentário de PVC, a seguinte passagem:
"porque ter um jogador de seu tamanho no elenco, com sua história, pode encher de confiança jogadores de bom nível e pouco prestígio. Jogadores como Bernard, Danilinho, Pierre, Jô e Richarlyson."
que, combinada a esta breve explicação e exaltação do fator confiança, serve para confirmar, mais uma vez, o otimismo que devia estar inundando os corações atleticanos.

sábado, 2 de junho de 2012

Confiança

Por que os jogadores alternam bons e maus momentos? A completa compreensão de fenômenos complexos desta natureza está além da capacidade de qualquer mente humana, mas ainda assim podemos identificar causas maiores, e de maior grau de ocorrência, no caso do futebol. Penso que vale a pena destacar, dentre essas causas, a confiança.

A confiança, que de tempos em tempos surge nas bocas dos comentaristas da televisão e do rádio ("fulano de tal está sem confiança") não tem seu devido valor reconhecido, provavelmente pelo mau uso e pela banalização que sofreu com várias décadas de comentários ineptos de jornalistas que só fazem repetir chavões atrás de chavões (não todos e/ou nem sempre, é bom que se diga).

A confiança em si

O primeiro erro dos jornalistas é dar à confiança um peso negativo. "Fulano de tal está sem confiança", como se alguém o tivesse roubado a confiança, como se algum fator obscuro dos treinos ou da organização do clube, as vontades do treinador ou um tempo de afastamento por lesão tivessem removido a confiança natural do fulano. Mas esta visão está errada, porque a confiança não é natural. A confiança tem que ser adquirida e mantida. E isto depende de trabalho mental e aprendizado do jogador, ou de competências inatas cuja origem não podemos explicar. Assim como a pobreza é natural no homem, a falta de confiança é o estado natural do jogador. E ela não não brota do gramado nem tampouco pode ser injetada no futebolista pelo treinador. É normal o jogador não ter confiança. A diferença do jogador que está sempre em boa fase para o que nunca está é a capacidade mental e a concentração que aquele tem e este não para manter a confiança por um bom tempo, quando ela vem.


O segundo erro é achar que a confiança é um fator psicológico, no estilo "fulano está sem confiança, porque está voltando de lesão" ou "porque brigou com a mulher", como se um fator extra-campo, ou uma preocupação, ou uma tristeza qualquer ficasse martelando na cabeça do jogador enquanto ele tenta chutar a bola e isso o tornasse pior. Não. A confiança é um fator físico. Mas não no sentido de treinamento físico ou técnico, ou boa forma. Não, a confiança é um fator físico porque o corpo pensa muito melhor do que a mente. Quando o jogador está confiante, ele deixa de se preocupar em acertar as jogadas, em mover o pé um milimetro a mais para esquerda ou para a direita. Ele apenas joga. A confiança está em reconhecer que o corpo sabe o que fazer, e não interferir na sua ação com pensamentos demais.

É este o ensinamento do multi-famoso (e por isto também multi-mal-interpretado) "Inner Game of Tennis", de Timothy Gallwey -- que depois deu origem à série de livros inner game e vários cursos e seções de auto-ajuda do mundo do business, todas sob o nome da disciplina coaching que, imagino eu, deve ser um grande conjunto de porcaria.

A confiança e as pretensões atleticanas de título

Chegando ao Campeonato Brasileiro: por que o Atlético ainda não foi decretado campeão brasileiro? Porque ainda pode perder, é claro. E, creio eu, se perder o terá feito por seus jogadores não terem conseguido manter a confiança por tempo suficiente. O time de 2009 foi tão espetacular porque tinha, no geral, confiança de sobra (veja neste gol do Diego Tardelli, por exemplo, como ele não se preocupa nem um pouco com o que fazer com a bola, bem diferente, por exemplo deste lance do Diego Souza, em que o nervosismo quase pôde ser filmado pela câmera).

Não temos como criar a confiança nos jogadores, e nem como mantê-las, mas podemos comemorar como uma vitória cada momento em que percebermos que essa confiança foi adquirida pelos que vestem a camisa do Atlético, porque cada vez que isto acontecer, o rolo compressor alvinegro ficará mais forte e suas chances de vitória aumentarão enormemente.

Como exemplo, fica a melhora de Bernard, que voltou a jogar como no fim de 2011, após este jogo importante em que fez dois gols com a mesma aura tranqüila e despreocupada que víamos em Tardelli (principalmente o segundo, talvez o estado de confiança a que me refiro tenha sido alcançado em algum momento entre os dois gols).

Aos que não crêem em milagres, digo-lhes que cada vez que um jogador do Atlético atinge o estado de confiança que Tardelli tinha em 2009, e que Bernard, Leandro Donizete, Pierre e (talvez, quem sabe com este lance) Danilinho têm agora, é um milagre que se realiza. Torçamos para que venham outros desses milagres, e que a equipe do Atlético esteja toda em seu nível máximo de confiança por toda a temporada.

sábado, 26 de maio de 2012

Forlán?


Forlán pra quê?

O Atlético contratou Junior Cesar. Talvez a melhor contratação que pudesse ser feita. Nossa posição mais carente de todas era, antes de sua chegada, sem sombra de dúvida, a lateral-esquerda. Richarlyson não estava dando conta do recado e o desempenho atleticano na ala canhota não fazia jus ao resto do campo e ao resto do time (embora só o anúncio do interesse do Galo por Junior Cesar já o tenha feito melhorar bastante).

Mas com Junior Cesar as coisas mudam de figura. Não sei se alguém se lembra da Libertadores de 2008. Tem muito tempo, até, mas não o suficiente para o rapaz desaprender a jogar bola. E do que ele precisa para voltar a jogar bola (não que esteja jogando mal agora, no Flamengo é impossível jogar bem, e no São Paulo ele fez um bom papel, mas queremos o Junior Cesar de 2008, certo?)?

Ele precisa de liberdade para atacar.

Puxe pela memória. O bom Junior Cesar defendia bem, mas corria solto para o ataque. Há vários fatores causais aí, não é só "liberdade para atacar", mas não estou em condições de saber quais. Nosso técnico estará. E, como ele deu liberdade a Marcos Rocha usando um zagueiro na cobertura e um volante cobrindo o zagueiro -- ou logo o volante na cobertura (e o Atlético de fato joga num 3-5-2 bem mais digno e sério do que aqueles 5-3-2 que foram moda há uns três quatro anos, e que a imprensa insistia em chamar de 3-5-2) (o 3-5-2 do Atlético é sério porque não é imposto pra cima dos laterais, é porque Marcos Rocha é naturalmente um meia, então tudo flui bem, e pode fluir ainda melhor, talvez, se tudo for bem encaixado, com um lateral-meia e um lateral-ala como o Junior Cesar) (lembremos que o Internacional de 2006, campeão da Libertadores e ideal de 3-5-2 que inspirou a modinha, jogava com um lateral-meia, Jorge Wagner, e um lateral-ala, Elder Granja).

Com tudo isso dando certo, também é provável que vejamos melhoras no desempenho de Bernard, que tem sido obrigado a jogar meio que sozinho na esquerda, e uma leve mudança tática somada à adição de um jogador bom na posição deve fazer bem a ele (e se não fizer, que volte Richarlyson, porque Bernard é crucial).


(substitua André por Jô, se quiser)

Bom, com Guilherme atuando de meia e jogando bem, Escudero recobrando sua confiança, Junior Cesar e Bernard sendo laterais meiocampistas e Leandro Donizete, o gênio, atuando em todas as posições, como no desenho, seremos imparáveis.

Não gosto da idéia de termos um centroavante -- o time de 2009, o melhor Atlético desde a época de Reinaldo, não tinha centroavante --, mas se for pra ter, André e Jô certamente irão render bem. O que eu faria, se pudesse, e se fosse possível fazê-lo jogar futebol como ele sabe, substituiria André por Danilinho, e o Veron Brasileiro seria nosso ponta-que-chega-do-lado-e-cruza-rasteiro-na-área, junto com Bernard, que faria o mesmo pelo outro lado, mas não como ponta, e sim como atacante-aberto-que-corta-e-chuta.

 (um dia esse quadrado mágico fará tremer a boca dos comentaristas imbecis da SporTV)

Mas os jogadores não são lá muito importantes (o sistema tático sim), o que era importante dizer é que, ora, com Junior Cesar em condições de voltar ao seu melhor futebol -- e mesmo que não volte, só de ocupar o espaço ali sem comprometer --, podemos muito bem ser campeões sem Forlán.

Mas se vier o Forlán, meu amigo, aí já podem entregar a taça e começar a disputar as tão famigeradas  vagas para a Libertadores.


domingo, 20 de maio de 2012

Ponte Preta 0 Atlético 1

Um jogo feio? Sim. Uma decepção nos planos atleticanos de buscar o título? Não. Ora, ganhamos. Foram 3 pontos bem ganhos, que não nos afastam do risco de rebaixamento, porque esse risco nunca existiu, só nos aproximam do título.

Apesar da compilação da Globo não deixar isto muito claro, porque só mostra meia dúzia de lances, o Atlético mais uma vez mostrou que é um time técnico e de toque de bola. A impressão do espectador mediano, de o time insiste demais nos cruzamentos, é  falsa. O Atlético, apesar de ter insistido demais nos cruzamentos só o fez a partir do segundo tempo, quando percebeu que o gramado do Moysés Lucarelli estava repelindo a bola, deixando-a quicadiça, arredia, e atrapalhando o time de mais toque de bola -- o Atlético. Bons observadores notarão que a bola não ficava no chão nem em passes curtos, quanto mais em passes longos, rasteiros (e vários) como demanda o estilo ideal de jogo que Cuca está implantando no Atlético.

Foi isto que obrigou (mesmo sendo discutível se esta foi a melhor estratégia) o Atlético a exagerar nos cruzamentos, em que realmente foi mal. Mas mesmo assim, no final do segundo tempo, quando o jogo foi completamente dominado pela equipe de Belo Horizonte, aconteceu do time ficar trocando bolas na intermediária, sem perder o controle jamais, e criando oportunidades (ruins, mas ainda assim oportunidades) a cada momento. Não foi coincidência.

A má atuação de Danilinho, que ou está sendo mal-posicionado pelo técnico ou ainda não se conscientizou a si mesmo de sua real posição, e os erros e mal-aproveitamento dos cruzamentos que decorreram do seu uso excessivo -- por um time que não está treinado para basear seu jogo nesse tipo de jogada -- são pontos pequenos frente à desenvoltura do Atlético nas poucas jogadas de bola no chão que conseguiu realizar (ver jogadas aos 12 e 45min).

Também não precisamos falar do gol, que aconteceu num golpe de sorte, é verdade (mas quem falou que futebol não envolve sorte?) mas também do bom posicionamento de Escudero e da jogada com bola no chão que deu na falta (donde viria a sair o gol).

O que é importante notar nesse jogo de hoje contra a Ponte Preta é que o Atlético continua no caminho certo e, como mais de três quartos dos jogos do Campeonato serão em campos bons (metade no Independência e mais 9 contra times grandes em seus grandes estádios, eu espero), a boa técnica e troca de passes atleticana ainda se mostrará boa e útil.