domingo, 10 de junho de 2012

Palmeiras 0 Atlético 1


O comentarista do PFC falou -- antes do jogo -- que o Atlético vai brigar pelo título. Agora, depois da nossa quase goleada, Paulo Vinícius Coelho também falou. O Brasil começa a acordar para a enorme qualidade do time do Atlético e para a verdade -- que já fora aqui divulgada, sem alarde -- de que o Galo será provavelmente campeão brasileiro (digo "quase goleada", porque roubaram três gols do Atlético, mas a Globo misteriosamente sumiu com os vídeos dos lances).

O time já tinha essa qualidade antes de Ronaldinho Gaúcho, e parece que ele não vai atrapalhar, então podemos por ora perdoar Alexandre Kalil por ter trazido um jogador que traiu o Grêmio. Mas como o Atlético é mais forte que o Ronaldinho, e já seria mesmo campeão mesmo sem ele, é bom que se destaque aqui que a jogada do gol foi um cruzamento de Bernard; a jogada em que Bernard perde um gol na cara veio de um lançamento de Danilinho; o segundo gol anulado do Galo também veio de um lançamento de Bernard; e, no início da partida, também aconteceu um lançamento quase perfeito dentro da pequena área, de Marcos Rocha, que Bernard não alcançou por muito pouco.

Isto dito, Ronaldinho também merece aplausos. Teve participações geniais.

Por fim, é importante notar, no já referido comentário de PVC, a seguinte passagem:
"porque ter um jogador de seu tamanho no elenco, com sua história, pode encher de confiança jogadores de bom nível e pouco prestígio. Jogadores como Bernard, Danilinho, Pierre, Jô e Richarlyson."
que, combinada a esta breve explicação e exaltação do fator confiança, serve para confirmar, mais uma vez, o otimismo que devia estar inundando os corações atleticanos.

sábado, 2 de junho de 2012

Confiança

Por que os jogadores alternam bons e maus momentos? A completa compreensão de fenômenos complexos desta natureza está além da capacidade de qualquer mente humana, mas ainda assim podemos identificar causas maiores, e de maior grau de ocorrência, no caso do futebol. Penso que vale a pena destacar, dentre essas causas, a confiança.

A confiança, que de tempos em tempos surge nas bocas dos comentaristas da televisão e do rádio ("fulano de tal está sem confiança") não tem seu devido valor reconhecido, provavelmente pelo mau uso e pela banalização que sofreu com várias décadas de comentários ineptos de jornalistas que só fazem repetir chavões atrás de chavões (não todos e/ou nem sempre, é bom que se diga).

A confiança em si

O primeiro erro dos jornalistas é dar à confiança um peso negativo. "Fulano de tal está sem confiança", como se alguém o tivesse roubado a confiança, como se algum fator obscuro dos treinos ou da organização do clube, as vontades do treinador ou um tempo de afastamento por lesão tivessem removido a confiança natural do fulano. Mas esta visão está errada, porque a confiança não é natural. A confiança tem que ser adquirida e mantida. E isto depende de trabalho mental e aprendizado do jogador, ou de competências inatas cuja origem não podemos explicar. Assim como a pobreza é natural no homem, a falta de confiança é o estado natural do jogador. E ela não não brota do gramado nem tampouco pode ser injetada no futebolista pelo treinador. É normal o jogador não ter confiança. A diferença do jogador que está sempre em boa fase para o que nunca está é a capacidade mental e a concentração que aquele tem e este não para manter a confiança por um bom tempo, quando ela vem.


O segundo erro é achar que a confiança é um fator psicológico, no estilo "fulano está sem confiança, porque está voltando de lesão" ou "porque brigou com a mulher", como se um fator extra-campo, ou uma preocupação, ou uma tristeza qualquer ficasse martelando na cabeça do jogador enquanto ele tenta chutar a bola e isso o tornasse pior. Não. A confiança é um fator físico. Mas não no sentido de treinamento físico ou técnico, ou boa forma. Não, a confiança é um fator físico porque o corpo pensa muito melhor do que a mente. Quando o jogador está confiante, ele deixa de se preocupar em acertar as jogadas, em mover o pé um milimetro a mais para esquerda ou para a direita. Ele apenas joga. A confiança está em reconhecer que o corpo sabe o que fazer, e não interferir na sua ação com pensamentos demais.

É este o ensinamento do multi-famoso (e por isto também multi-mal-interpretado) "Inner Game of Tennis", de Timothy Gallwey -- que depois deu origem à série de livros inner game e vários cursos e seções de auto-ajuda do mundo do business, todas sob o nome da disciplina coaching que, imagino eu, deve ser um grande conjunto de porcaria.

A confiança e as pretensões atleticanas de título

Chegando ao Campeonato Brasileiro: por que o Atlético ainda não foi decretado campeão brasileiro? Porque ainda pode perder, é claro. E, creio eu, se perder o terá feito por seus jogadores não terem conseguido manter a confiança por tempo suficiente. O time de 2009 foi tão espetacular porque tinha, no geral, confiança de sobra (veja neste gol do Diego Tardelli, por exemplo, como ele não se preocupa nem um pouco com o que fazer com a bola, bem diferente, por exemplo deste lance do Diego Souza, em que o nervosismo quase pôde ser filmado pela câmera).

Não temos como criar a confiança nos jogadores, e nem como mantê-las, mas podemos comemorar como uma vitória cada momento em que percebermos que essa confiança foi adquirida pelos que vestem a camisa do Atlético, porque cada vez que isto acontecer, o rolo compressor alvinegro ficará mais forte e suas chances de vitória aumentarão enormemente.

Como exemplo, fica a melhora de Bernard, que voltou a jogar como no fim de 2011, após este jogo importante em que fez dois gols com a mesma aura tranqüila e despreocupada que víamos em Tardelli (principalmente o segundo, talvez o estado de confiança a que me refiro tenha sido alcançado em algum momento entre os dois gols).

Aos que não crêem em milagres, digo-lhes que cada vez que um jogador do Atlético atinge o estado de confiança que Tardelli tinha em 2009, e que Bernard, Leandro Donizete, Pierre e (talvez, quem sabe com este lance) Danilinho têm agora, é um milagre que se realiza. Torçamos para que venham outros desses milagres, e que a equipe do Atlético esteja toda em seu nível máximo de confiança por toda a temporada.