Fui ao estádio do Independência usando uma camisa vermelha. Assisti ao jogo de trás das traves onde a bola não entrou nenhuma vez. Vi o time do Atlético jogar muito bem, e acredito que o título brasileiro não é um sonho distante.
Do primeiro tempo aberto, em que o Goiás várias vezes chegou pelos lados, e foi facilmente desarmado pelos bons zagueiros do Atlético, Réver e Lima, e por seus bons laterais, Danilinho e Leandro Donizete (Marcos Rocha é um meia, assim como Richarlyson). Em todo caso, os ataques atleticanos, vistos de longe, pareciam uma grande correria, tudo no improviso, mas dizem aí os jornais e os comentários de várias partes que foi um primeiro tempo excelente. Eu devo dar crédito, tanto mais porque fizemos dois gols.
O segundo tempo, que essas mesmas fontes dizem ter sido péssimo, não foi. No início, achei muito boas as jogadas de bola tocada, de pé em pé, passando pelas boas saídas do gênio do futebol Leandro Donizete e pelo excelente Escudero, que é inteligente e pensa as jogadas, ao mesmo tempo que, rápido para executá-las, não tem a lentidão do camisa 10 clássico.
O Atlético jogou num 3-1-5-1, com um dois meias pela esquerda, Escudero e Triguinho (que substituiu Richarlyson); dois pela direita, Danilinho e Marcos Rocha; e um solto, Mancini. As duplas se entendiam bem nas laterais, e os passes eram em grande parte certos. Um erro tático no posicionamento de Danilinho e um dia de azar do único atacante André impediram o Atlético de fazer mais gols.
No primeiro tempo, imagino que o desenho tático do jogo tenha sido semelhante, com Neto Berola de meiocampista, talvez rendendo até mais do que como atacante.
Depois de um bom começo de segundo tempo, talvez por cansaço, o Atlético passou a jogar dando chutões para a frente. Foi ruim, o time piorou, mas mesmo assim as jogadas dos meias estavam funcionando. Piorou um pouco mais com a saída de Mancini e a entrada do volante Serginho, que transformou nosso 3-1-5-1 em um 3-2-4-1 e diminuiu as chances de surgir uma boa jogada.
O gol do Goiás foi uma fatalidade a que estávamos sujeitos desde o início. Há que se lamentar, não vaiar, não deixar de enxergar as inúmeras qualidades do Atlético, nem que deixar de crer no título do Campeonato Brasileiro.